Notícias

Aberta submissão de artigos: Fluxo contínuo

2018-12-04

A “veredas – Revista Interdisciplinar de Ciências Humanas” está aberta o ano todo para submissão de Artigos em todas as áreas do conhecimento das ciências humanas. Visa oferecer uma visão abrangente e multidisciplinar para os fenômenos que ocupam e direcionam a agenda contemporânea.  Neste sentido, serão bem vindas contribuições originais com temática interdisciplinar que dialoguem com as questões de Gênero e Identidade, com as mutações comportamentais dos jovens na sociedade de consumo e com as diversas visões de educação e meio ambiente em que vive o homem moderno.

 

Saiba mais sobre Aberta submissão de artigos: Fluxo contínuo

Edição atual

v. 3 n. 5 (2020): Veredas - Revista Interdisciplinar de Humanidades

O Primeiro número deste ano da Revista Veredas apresenta dez artigos e quatro resumos de teses e dissertações de doutorado e mestrado. Temos contribuições que tratam da poesia política, cidade e memória, educação e as muitas possibilidades de ensinar e aprender, estudos sobre o corpo feminino e os cuidados de Si, feminícidio sem distinção de classes sociais, Golpe Militar e música. Nos resumos, temos contribuições com temáticas variadas que abordam questões como a “acessibilidade para estudantes com deficiência no ensino superior”, os efeitos da “imigração boliviana na cidade de São Paulo”, uma nova abordagem da “soberania estatal na pós-modernidade” e as relações de proximidade entre os “influenciadores digitais e consumo social”.  Abrindo este número em “Play it again, marginais!: uma leitura da poética de Ana Cristina Cesar e Paulo Leminski”, Luciana Brandão Leal apresenta-nos uma reflexão sobre a poética de Leminski e Cesar produzida sob a vigília do  regime militar no contexto da década de 1970. Sua visão crítica do duplo lugar de pesquisadora e professora, oferece-nos pistas para compreender a etapa dita marginal e a posterior canonização desses autores pelos leitores e pela crítica brasileira. No segundo artigo, “Crioulização e estilo Sobre A Conjura, de José Eduardo Agualusa”, Sérgio Guimarães de Sousa analisa A Conjura, o primeiro romance de Agualusa (1981). Quer neste percurso encontrar elementos que definirão a singularidade do imaginário literário do autor. O texto lança luz sobre o interesse do escritor angolano a respeito das questões raciais em sua terra natal. De suas linhas pode-se depreender que a “crioulização” é um meio para enfrentar o racismo, na medida em que dá azo à miscigenação e ao hibridismo cultural, sustentado por um desejo de superação dessa chaga social que atravessou o século XX e assombra o XXI. Na continuidade, em “Direitos reprodutivos em foco: audiovisuais didáticos como ferramentas para a educação de jovens", Taluana Laiz Martins Torres e Maria de Fátima Salum Moreira discutem os resultados de uma pesquisa de doutorado que teve como objeto o estudo das produções audiovisuais didáticas sobre sexualidade e direitos reprodutivos, produzidas por Organizações Não-Governamentais (ONGs). Querem compreeder o impacto dessa tecnología nas atividades cotidianas dos professores que trabalham diretamente com jovens. A perspectiva sócio-histórica e cultural de Mikhail Bakhtin (1990) e seus conceitos de dialogismo, intertextualidade e interdiscursividade forneceram o arcabouço teórico para as análises empreendidas. Depois, ainda dentro do debate dos estudos sobre educação,  "Educação crítica. Educação reflexiva, o ensino´-aprendizagem da saúde e meio ambiente: uma contribuiçãodo enfoque interdisciplinar", Patrícia Colombo de Souza e Renato Marco, analisam as questões socioambientais e sua importância para o mundo urbano industrial, bem como os seus efeitos sobre e para a qualidade de vida do ente contemporâneo. Os autores criticam os desmandos das autoridades nas áreas da educação e da saúde. Todavia, apesar dos entraves burocráticos e políticos enxergam, ainda assim, importantes contribuições nessas áreas do conhecimento que podem contribuir com as desejadas mudanças nas relações do agente contemporâneo com as questões socioambientais. Em seguida, em “Negligência/negação à escolarização em quilombos da região de Guanambi/Bahia”, retomamos o tema da educação com Leila Maria Prates Teixeira Mussi, Ricardo Franklin de Freitas Mussi e Alexandre Garcia Araújo. Os autores interpretam a escolarização como uma experiência que deve ser garantida segundo as características identitário-culturais dos seus respectivos grupos populacionais. Assim, por meio de uma análise quanti-qualitativa do perfil de seus participantes, concluem que a maioria dessas escolas funciona com turmas multisseriadas nas séries iniciais do ensino fundamental. Afirmam, na consecução de suas análises, que a negligência ou negação à escolarização criou barreiras para a formação identitária dessas comunidades e assim inviabilizou a formação antirracista do povo baiano. Por um olhar da violência contra a mulher, em “Estudo do perfil dos casos de feminicídio no Brasil no período de 2008 a 2018”, Andreia Cristina Micchelucci Malanga, Carmem Bastos e Jane Caldeira debatem as incidências de casos de violência contra mulher no Brasil do tempo presente. A pesquisa discute a análise da evolução dos números de casos de violência contra a mulher com idade entre 10 e 49 anos notificados pelos serviços públicos e uma possível relação desses acontecimentos com o grau de escolaridade. Retomando o debate sobre educação e suas diversas vertentes, em “Inteligências emocionais na prevenção e enfrentamento à Síndrome de Burnout na docência do ensino superior”, Suzana Ferreira Paulino Domingos e Júlio César da Silva apresentam um estudo sobre o desenvolvimento das inteligências ligadas à dimensão emocional na prevenção e enfrentamento à síndrome de burnout na docência do ensino superior. A pesquisa apoia-se em uma análise bibliográfica e exploratória de como prevenir e enfrentar os impactos da síndrome de burnout na docência. Conforme a análise, o desenvolvimento das inteligências emocionais, bem como o conhecimento da síndrome são fortes aliados na prevenção e no enfrentamento ao burnout. “Esquadrão de Tortura: uma narrativa headbanger sobre a Ditadura Militar de 1964”, de Alexandre Rossi Carneiro e Lívia De Tommasi, revisita o Golpe Militar de 1964 por meio de uma narrativa construída pela banda paulistana de death/thrash metal Torture Squad em seu álbum conceitual “Esquadrão da Tortura”. Os autores Inventariam a recepção ao disco em resenhas, sites especializados e em publicações de vídeos no You Tube e, assim, trazem à tona as tensões políticas que as diferentes narrativas constroem sobre o Golpe 64. Na continuidade, em “A Ética e o Cuidado de Si na conduta das mulheres: condições de possibilidade, corpo e estratégias”, Rebeca Barbosa Nascimento e Nilton Milanez apresentam, numa perspectiva foucaultiana, uma análise da verticalização do olhar sobre matrizes de conduta para os corpos das mulheres, enquanto superfícies de emergência de contenções e resistências, considerando, sobretudo, as noções da Ética do Cuidado de Si. Perscrutam o ‘ser mulher’ como um fator social e histórico, enredado a saberes em torno do controle dos corpos possibilitando a emergência de posicionamentos historicamente silenciados. Logo depois, em “Uma cidade sem passado? O registro cartográfico como preservação da memória de Minas Novas no Alto Jequitinhonha”, Alice Ferreira Silva e Paulo Fernando de Souza Campos utilizam os conceitos de memória e cartografia para a análise da região do Alto Jequitinhonha. De posse dessas ferramentas epistemológicas, buscam entender a memória, não apenas divergindo-a do esquecimento, mas a partir da herança que o espaço, objeto desta análise, ocupa, bem como de suas potencialidades em relação ao desenvolvimento regional. 

Por fim, esta edição apresenta ao público leitor quatro resumos de dissertações e teses de diferentes universidades do Brasil. O primeiro, “Acessibilidade, Barreiras e Superação: Estudo de Caso de Experiências de Estudantes com Deficiência na Educação Superior”, da doutora Jackeline Susann Souza da Silva, trata da importância da acessibilidade como diretriz de política pública, para assegurar os direitos das pessoas com deficiência à educação, ao trabalho, à cultura e ao lazer, em igualdade de condições com as pessoas sem deficiência. O estudo quer entender como estudantes com deficiência experienciam a acessibilidade/barreira no ensino superior. Sua metodologia é de estudo, combinada com a técnica de shadowing (acompanhamento como sombra) com seis estudantes (três do sexo masculino e três do sexo feminino) da Universidade Federal da Paraíba - campus de João Pessoa. Logo em seguida, temos a dissertação de mestrado, “Imigração boliviana na cidade de São Paulo: construção e desconstrução de sua identidade cultural”, da mestranda Rosinéia Oliveira dos Santos, defendida na Universidade Santo Amaro (UNISA). Nesta pesquisa a autora investiga as mutações da identidade cultural dos imigrantes bolivianos na cidade de São Paulo a partir da década de 1990. Toma como base os locais que são símbolos e que marcam a cultura da imigração boliviana na cidade (Praça Kantuta, Rua Coimbra) e utiliza-se de notícias da imprensa de São Paulo e de seu mosaico de informações sobre a comunidade boliviana na cidade. Procura, assim, entender como eles se adaptaram e se interagem nessa nova paisagem urbana sem perder a individualidade e origem. O terceiro resumo aborda a temática da soberania estatal, “Limites e Potencialidades da Soberania Estatal na Pós-modernidade” de Angela Limongi Alvarenga Alves (USP) é um estudo que lança luz sobre as diversas teorias e transformações da soberania estatal, impulsionadas, quase sempre, pela ideia de crise do Estado moderno. O estudo tem como perspectiva de análise a tradicional concepção jurídica da soberania em que o Estado detém a exclusividade na produção do direito dentro de seu território. Perscruta os limites e vínculos entre direito, Estado e soberania defendidos pela clássica teoria do Estado para concluir que, na atualidade, a formulação do Direito é permeada por múltiplos sujeitos provenientes de um corpo social bastante complexo e heterogêneo que reinventa e reconfigura a noção de soberania estatal em favor da soberania estatal democrática. O último resumo, “Influenciadores Digitais e Consumo Social: estudo interdisciplinar sobre a construção de relacionamentos e impactos na decisão de compra” da mestranda Maira Silva de Moraes da Universidade Santo Amaro (Unisa), quer entender como as mídias sociais reconfiguraram nossa maneira de estar no mundo. A pesquisa concentra-se no consumo, nas relações sociais mediadas digitalmente, na emissão e na recepção de mensagens e tem como objetivo precípuo responder até que ponto os conteúdos digitais espontâneos e incentivados/patrocinados produzidos por influenciadores e publicados em diversas plataformas têm impacto na decisão de compra dos consumidores. Sua abordagem é interdisciplinar e problematiza alguns dos conceitos transversais das ciências humanas, tais como: sociedade, as identidades, a aquisição, o compartilhamento e a mercantilização do saber. A pesquisa está ancorada em um estudo de caso com técnicas de observação participante. Depreende-se dessas observações que o valor das marcas sofre o impacto da percepção dos consumidores; que o ato de comprar assumiu contornos sociais; e que os influenciadores digitais se posicionam como especialistas e constroem relações de confiança com seus públicos.

Desejamos, enfim, que os artigos e resumos desta edição fomentem o debate e contribuam para a formação de um pensamento crítico capaz de ampliar a nossa compreensão sobre as vicissitudes do tempo presente.

Uma boa leitura a todos!

Rafael Lopes de Sousa

Publicado: 2020-06-29

Artigos

Ver Todas as Edições

ISSN 2595-3508