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Aberta submissão de artigos: Fluxo contínuo

2018-12-04

A “veredas – Revista Interdisciplinar de Ciências Humanas” está aberta o ano todo para submissão de Artigos em todas as áreas do conhecimento das ciências humanas. Visa oferecer uma visão abrangente e multidisciplinar para os fenômenos que ocupam e direcionam a agenda contemporânea.  Neste sentido, serão bem vindas contribuições originais com temática interdisciplinar que dialoguem com as questões de Gênero e Identidade, com as mutações comportamentais dos jovens na sociedade de consumo e com as diversas visões de educação e meio ambiente em que vive o homem moderno.

 

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Edição atual

v. 2 n. 2 (2018): Veredas - Revista Interdisciplinar de Humanidades

Ao encerrar sua edição de 2018, a revista Veredas lança seu segundo número, contando com oito artigos que propiciam debates interdisciplinares nas diferentes áreas das Ciências Humanas. Os trabalhos tratam de diversos aspectos da chamada, que convida para a reflexão sobre as rupturas e revoluções no século XX. Produzidos por pesquisadores e pesquisadoras do Brasil, os artigos ora apresentados permitem considerar que as vicissitudes deste processo importam significativamente, pois redimensionam o social.

  • No artigo de abertura, “A ordem tem seus perigos: a crise da política e o papel dos intelectuais nas reportagens iranianas de Michel Foucault”, Mauricio Pelegrini realiza uma análise da experiência vivida por ocasião de sua viagem ao Irã, durante os meses mais agudos da Revolução de 1978 que terminaria por depor a ditadura do xá Reza Pahlavi. O artigo ressalta o conceito de vontade coletiva como fundamental para a interpretação foucaultiana da crise política que então se instalava naquele país e a reverberação desse acontecimento no mundo ocidental.
  • No segundo artigo, Tony Hara apresenta a história de uma amizade criativa entre dois músicos de formação bem diferente, mas que se aventuraram lado a lado na busca por uma linguagem musical própria, autoral e de ruptura com a tradição. O texto convida os leitores para uma viagem entre a ficção e a história e assim propõe um encontro entre o rigor e o suingue que mexeu com a história da música brasileira de um jeito diferente na década de 1980.
  • Em “Arqueologia, Política e Ideologia: Arqueologia Marxista na Itália pós Segunda Guerra Mundial” Juliana Figueira da Hora, Rafael Lopes de Sousa e Vagner Carvalheiro Porto concentram-se em inventariar a trajetória da chamada "escola romana" de arqueologia. Analisam, assim, a influência das ideologias comunistas e marxistas no desenvolvimento da disciplina e destacam diversos arqueólogos proeminentes e carismáticos, dentre eles Bianchi Bandinelli, Renato Peroni e Andrea Carandini e a força inovadora e revolucionária que essas personalidades legaram à arqueologia italiana.
  • No artigo “Presença de Geleia Geral na História da Música Popular Brasileira”, Carlos Bauer apresenta-nos uma análise original da canção de Gilberto Gil e Torquato Neto. O autor destaca a forma atípica dessa canção para o padrão da música popular à época. A cena social, a irreverência dos comportamentos revolucionários, feitas de críticas mordazes, no afã de refletir sobre as possibilidades de mobilidade social, as angústias, as incertezas que marcam os períodos convulsivos e povoados de desastres experimentados pela sociedade brasileira da segunda metade do século XX, delineiam a construção do artigo.
  • Já em “Liberdade, Religiosidade e Gênio: Romantismo e História na Dramaturgia de Gonçalves de Magalhães”, Flavio Botton disseca as temáticas da comediografia desse poeta e conclui que, apesar de ter nascido no Brasil, não há nada de muito brasileiro nem na vida social nem no enredo de sua obra. O artigo esmiúça a vida desse personagem histórico que viveu no século XVIII. Busca compreender os três grandes pilares românticos que sustentam a peça de Magalhães: a liberdade (expressa no desejo do comediógrafo), a religiosidade (discutida por Frei Gil) e o gênio (princípio e finalidade da criação artística e da própria vida do sujeito único romântico).
  • No artigo “Patrimônio cultural imaterial indígena no mundo contemporâneo: turismo, consumo e mediações”, Priscila Enrique de Oliveira, por sua vez, historiciza as preocupações mais recentes com os registros do que se considera patrimônio imaterial. Destaca em sua análise que a ampliação de diálogos entre o turismo cultural e as comunidades locais fortaleceu a memória afetiva do homem com seu meio. Defende, assim, uma identidade local em que o passado e o presente, o novo e o antigo desencadeiam um processo de reelaboração constante da cultura, mediada por uma gestão pública democrática, participativa e horizontalizada.
  • Já o trabalho “Literatura e Outras Artes, Uma Contribuição à Discussão” de Anélia Montechiari Pietrani oferece uma reflexão sobre a leitura e o estudo do texto literário a partir da interface da literatura com outras manifestações artísticas. Sugere encaminhamentos teóricos e práticos a serem desenvolvidos nas aulas de literatura. Sobre essa questão, três aspectos serão abordados mais detalhadamente pela autora: o diálogo entre a literatura e outras artes; a recriação do texto literário em outras produções artísticas e a seleção e combinação de elementos de outras formas artísticas como constituintes imanentes ao texto literário.
  • Fechamos essa edição com o trabalho de Alzira Lobo de Arruda Campos, “Elites e Poder no Segundo Reinado (A Visão transmitida pelo primeiro volume da Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro)”. Suas reflexões concentraram-se em descortinar a trajetória da Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro como um dos mais importantes lugares da memória sobre o pensamento da elite nacional. A autora deixa entrever que, para além da preservação da memória, o IHGB contribuiu também para formação de uma vida cultural mais ampla e mais efetiva no Brasil oitocentista. A discussão sobre memória e cultura perpassa, pois, todo o artigo e aponta para o contexto da crise que atingiu o modus operandi do Estado-nação da monarquia constitucional brasileira. O texto defende, assim, que Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro é um lugar de memória, mas funcionou também, sobretudo no Segundo Reinado, como centro de estudos dos círculos do poder para formular representações e mitologias nacionais por meio de uma intelligentzia orgânica da nação formada pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Desejamos aos nossos leitores uma ótima leitura e excelentes reflexões!

Publicado: 2018-12-12

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ISSN 2595-3508